Dia 2, Sexta-feira



A tia Lena telefona a dizer que estás estável e que neste momento isso é bom.
Eu e o Jónatas vamos ter com os meus irmãos a Cernache. Está lá o Duarte. Choramos abraçados quando nos encontramos. Queremos tanto que fiques bem.
Vamos almoçar e num instante, que me parece não ter fim, estou à espera no corredor dos Cuidados Intensivos para te ver.
Entro com aquela bata obrigatória, sapatos, luvas e máscara. Não te identifico logo, estou meio perdida.
Chego até ti, chamo-te muitas vezes... As mães respondem sempre, não é? Não conseguiste, eu sei. Não faz mal. Apertei a tua mão, estava fria, acho que tinhas febre. Disse que te amo e que estamos a orar.

O médico fala connosco. Diz que é grave, que há grande risco e eu não acredito neste pesadelo.

Eu, o Jónatas, os meus irmãos e o Duarte passamos a tarde juntos.
Rimos, choramos, mostramos medo, esperança, tudo num ciclo repetitivo.

Às 19:30 entram o Miguel, o Tiago e o David para te verem. O David pede ao enfermeiro para o Duarte entrar também. Eu também peço. Ele deixa. Eu já não consegui. Já tinham chegado ao fim os 30 minutos a que temos direito.
30 minutos, duas vezes por dia, duas pessoas, uma de cada vez...




Sem comentários:

Enviar um comentário